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Adna quer judiciário próximo da sociedade

Publicado em: 06/11/2015

Numa das mais concorridas solenidades de posse no Tribunal Regional do Trabalho foi conduzida nessa quinta (5/11) ao cargo de presidente para o biênio 2015-2017, a desembargadora Maria Adna Aguiar, que substitui o desembargador Valtercio Oliveira, que realizou uma elogiada gestão à frente do TRT-Ba.

A nova presidente ressaltou que ” este é um momento singular pra mim, momento tão sonhado e tão perseguido”. A solenidade de posse, ocorrida ontem, às 20h, lotou o auditório da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e contou com a presença do governador Rui Costa, do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, entre outras autoridades civis e militares.

Em seu discurso ao assumir a presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, a desembargadora propôs ao pares que “realizemos juntos as mudanças que os Magistrados e Servidores deste Egrégio Tribunal anseiam. Peço que me ajudem a aproximar o judiciário da sociedade, pois, só assim, o acesso à Justiça será pleno”.

A desembargadora Maria Adna Aguiar afirmou na oportunidade, desejar  “uma justiça viva e vigorosa. O povo baiano busca, exige mudanças. Quer um olhar mais sensível aos seus conflitos. De um lado o trabalho, do outro o capital, e nós estamos aqui para decidir, sobretudo com olhar sensível e profundamente justo. Compreendo perfeitamente o trabalhador que vende sua força de trabalho e recebe em troca compensação monetária, com certeza, ele deseja uma justiça que lhe dê uma resposta rápida, pois se trata de créditos para sua sobrevivência”.

A presidente empossada revelou entender mais a cada dia que “o empregador, o empresário, que detém os meios de produção, deva ser preservado, motivado e compreendido, para que continue a investir, a gerar empregos, pois a expansão é fruto dessa boa relação entre trabalho e capital. Cabe a nós, desembargadores e juízes a obrigação de decidir com esse olhar de sensibilidade para que todos continuem crescendo e produzindo riquezas para nosso Estado, para nosso País. Proponho então fazermos um pacto. Juntarmo-nos todos para promover o crescimento da justiça pela justiça, mesmo diante de uma crise econômica avassaladora, estando todos nós unidos”.

Participaram também da solenidade de posse da nova presidente do Tribunal Regional do Trabalho, o ministro, vice-presidente do TST e representante do Colendo Tribunal, Ives Gandra da Silva Martins Filho, a ministra Fátima Nancy, corregedora maior, procurador-chefe Alberto Bastos Balazeiro, os comandantes militares sediados no Estado, o presidente da OAB-Ba, Luis Viana Queiroz e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, advogado Marcus Vinícius  Furtado Coêlho.

Durante a solenidade, também foi empossada Mesa Diretora constituída da desembargadora vice-presidente Maria de Lourdes Linhares, do desembargador corregedor regional Esequias de Oliveira e a desembargadora vice-corregedora regional Nélia Neves.

Discurso emociona durante solenidade 

Em um discurso emocionado, que contagiou todos os presentes, calorosamente aplaudido, a nova presidente do TRT-BA fez questão de fazer um agradecimento especial aos seus pais, Adna Tereza de Aguiar Cardoso e João Cardoso do Nascimento, in memorian. “A eles, minha imensa gratidão por terem me compreendido e me passado princípios fundamentais como amar e respeitar o próximo, sobretudo a ter fé em Deus”.

Em seguida, dirigiu-se aos seus colegas desembargadores: “Agradeço pela eleição àqueles que nos estritos limites de legalidade, igualdade e vontade da maioria, deram demonstração de maturidade democrática. Tive 80% dos votos do colegiado, tradução e expressão de bondade e vontade, de buscar um novo caminho para um Tribunal social, da envergadura do nosso, atento às demandas que surgem na sociedade. Sou grata a vocês.  Mesmo sendo a mais antiga elegível de todo Tribunal, participei de eleições e fui eleita. Passei pelo crivo dos meus colegas, assim como todos aqui empossados hoje na mesa diretora. Não devemos aceitar nada e ninguém por obrigação ou imposição. É o que prevê a nossa LOMAN. Nossa Lei, e a qual devemos observância!”.

A superação dos preconceitos 

“Vossas Excelências superaram preconceitos, quebraram paradigmas históricos, e eu não posso calar, deixar de agradecer a cada um dos 24 desembargadores pela audácia. Os enalteço com profundo carinho e admiração. E agradeço mais uma vez e sempre”.

E num dos momentos mais marcantes de sua oração, destacou a desembargadora Adna Aguiar:

“Tenho que registrar, ainda, que esta posse tem uma peculiaridade, um momento singular: pela primeira vez na Justiça do Trabalho do Brasil, talvez de todos os Tribunais do País, toma posse como Presidente uma MULHER CADEIRANTE. A sociedade ganhou. Liberdade!!! Liberdade! Horizonte alvissareiro. Aos dois anos de idade fui acometida de poliomielite, e crescida, decidi seguir adiante, e me lançar para a capital do estado, Salvador. Morar na casa de meus avós e estudar, enfrentando um mundo novo, com todas as adversidades e barreiras”.

O povo busca, exige mudanças

“Todo aquele que tem uma dificuldade, seja qual for, pode sim, vencer os obstáculos, sejam os internos que ninguém percebe, ou àqueles que a vida, no seu curso, nos impõe. E por que não falar de discriminação? Isso no Brasil de 50 anos atrás. Tive que dizer não ao comodismo, ao colo da minha mãe e do meu pai. Tinha em mim a certeza que aquela era a oportunidade de buscar o conhecimento. Só através dele conseguiria ser livre e independente, ter autonomia. Palavra mágica na infância e na juventude”.

E acrescentou, já referindo-se ao desafio que a aguarda:

“ Estamos no início de uma nova etapa. Neste ato, proponho que realizemos juntos as mudanças que os magistrados e servidores deste Egrégio Tribunal anseiam. Peço que me ajudem a aproximar o judiciário da sociedade, pois, só assim, o acesso à justiça será pleno. Queremos uma justiça viva e vigorosa. O povo baiano busca, exige mudanças. Quer um olhar mais sensível aos seus conflitos. De um lado o trabalho, do outro o capital, e nós estamos aqui para decidir,  sobretudo com olhar sensível e profundamente justo”.

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